Em algum momento da vida, começamos a perguntar: “Isso vai me levar a algum lugar?”, “Isso é produtivo?”, “Isso serve para quê?”. Até o descanso precisa parecer merecido. Até o lazer precisa caber na agenda. Até aquilo que fazemos por prazer pode acabar se transformando em mais uma tarefa.
Talvez seja assim que, aos poucos, a leveza vai desaparecendo. Esquecemos de fazer coisas simplesmente porque gostamos. De ouvir uma música sem fazer outra coisa ao mesmo tempo. De caminhar sem transformar a caminhada em exercício. De conversar sem olhar o relógio. De rir de alguma coisa completamente inútil. De ficar alguns minutos olhando pela janela.
A vida adulta nos ensina muitas coisas importantes: responsabilidade, compromisso, planejamento. Mas talvez também precisemos reaprender algo que não aparece em nenhuma lista de produtividade: estar.
Nem tudo precisa produzir alguma coisa. Nem tudo precisa melhorar você. Nem tudo precisa ter uma finalidade. Algumas experiências existem simplesmente porque tornam a vida um pouco mais viva.
Talvez a leveza não tenha desaparecido. Talvez ela esteja esperando que você pare de exigir que até ela seja produtiva.
