Artigo · Valéria Guadagnine

A leveza que esquecemos

Psicóloga clínica · CRP 06/171427

Em algum momento da vida, começamos a perguntar: “Isso vai me levar a algum lugar?”, “Isso é produtivo?”, “Isso serve para quê?”. Até o descanso precisa parecer merecido. Até o lazer precisa caber na agenda. Até aquilo que fazemos por prazer pode acabar se transformando em mais uma tarefa.

Talvez seja assim que, aos poucos, a leveza vai desaparecendo. Esquecemos de fazer coisas simplesmente porque gostamos. De ouvir uma música sem fazer outra coisa ao mesmo tempo. De caminhar sem transformar a caminhada em exercício. De conversar sem olhar o relógio. De rir de alguma coisa completamente inútil. De ficar alguns minutos olhando pela janela.

A vida adulta nos ensina muitas coisas importantes: responsabilidade, compromisso, planejamento. Mas talvez também precisemos reaprender algo que não aparece em nenhuma lista de produtividade: estar.

Nem tudo precisa produzir alguma coisa. Nem tudo precisa melhorar você. Nem tudo precisa ter uma finalidade. Algumas experiências existem simplesmente porque tornam a vida um pouco mais viva.

Talvez a leveza não tenha desaparecido. Talvez ela esteja esperando que você pare de exigir que até ela seja produtiva.

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