Artigo · Valéria Guadagnine

Estar na terapia e fazer terapia: qual é a diferença?

Psicóloga clínica · CRP 06/171427

Existe uma diferença entre estar na terapia e fazer terapia. Estar na terapia pode ser simplesmente ocupar aquele horário, contar o que aconteceu durante a semana e esperar que alguma coisa mude.

Fazer terapia envolve, aos poucos, se permitir olhar para aquilo que aparece. Nem sempre é confortável. Às vezes, significa perceber que uma situação que parecia ser apenas sobre o outro também toca em alguma coisa sua. Às vezes, significa reconhecer um limite que você passou muito tempo ignorando. Outras vezes, significa perceber que determinada maneira de viver, de se relacionar ou de se proteger fez sentido em algum momento, mas talvez já não faça da mesma forma hoje.

Fazer terapia não significa chegar a todas as sessões com grandes descobertas. Também existem dias em que você simplesmente chega cansado, fala sobre a semana e vai embora. E tudo bem.

A terapia não acontece apenas nos momentos em que algo extraordinário é compreendido. Ela também acontece nesse movimento lento de começar a perceber. Perceber o que sente. Perceber o que repete. Perceber o que evita. Perceber aquilo que deseja. Perceber aquilo que já não consegue sustentar.

Talvez fazer terapia seja, em parte, aprender a se encontrar com aquilo que existe em você sem precisar fugir imediatamente. Não para se tornar outra pessoa, mas para compreender melhor quem você é e as possibilidades que existem a partir disso.

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