Artigo · Valéria Guadagnine

O que a depressão rouba do dia a dia

Psicóloga clínica · CRP 06/171427

Quando falamos em depressão, muitas vezes pensamos imediatamente em tristeza. Mas ela pode ser muito mais silenciosa do que isso. Pode aparecer na dificuldade de levantar da cama, na falta de energia para responder uma mensagem, no banho que começa a parecer uma tarefa enorme, na comida que já não tem o mesmo gosto, na vontade que desaparece, no encontro que você desmarca porque simplesmente não consegue ir. Naquilo que antes fazia sentido e, de repente, parece distante.

A depressão pode roubar pequenas coisas. E talvez seja justamente por serem pequenas que nem sempre são percebidas. “Eu só estou cansada.” “Estou numa fase ruim.” “Preciso me esforçar mais.” “Depois passa.”

Enquanto isso, a vida vai ficando menor. Menos encontros. Menos prazer. Menos movimento. Menos presença.

Por isso, olhar para a depressão apenas como falta de vontade pode ser tão injusto. Às vezes, aquilo que parece preguiça é sofrimento. Aquilo que parece desinteresse é exaustão. Aquilo que parece afastamento é alguém tentando sobreviver ao próprio dia. E isso merece cuidado. Não cobrança.

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